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A crente piriguete

outubro 17, 2011

Vou contar aqui hoje  um caso verídico, porém vou apenas trocar o nome da pessoa para poupá-la de maiores constrangimentos. Conheci Eleonora quando ela tinha 19 anos e estávamos na faculdade. Ela era de família cristã e estava no meu grupo de TCC.
Sorridente, espontânea e muito aplicada,  além de tudo muito colaborativa, sentia-se isolada da classe e eu não sabia o porquê, pois eu havia pedido transferência para a turma da noite e aquele era meu primeiro ano de estudo com a classe 3B.
Um certo dia soube que ela não havia se encaixado em nenhum grupo por receio de sofrer algum tipo de piadinha, pois de uma certa forma tinha o “rabo preso”. Havia transado com dois caras da classe. O primeiro caso aconteceu quando ela aceitou uma carona de moto e topou ir para a casa de um sujeito que apenas a cumprimentava com boa noite e até mais.
O outro cara era um nerd rico, cujo pai empresário lhe dava de tudo, menos a chance de mudar a cara de babaca. Pois bem, Eleonora transou com esses dois sujeitos e não sabia depois como encará-los e enfrentar seus amigos. No intervalo, trancava-se com sua bíblia no banheiro e conversava com poucas pessoas.

Sua família achava que ela era uma santa, acima do bem e do mal. Seu pai rígido a levava e buscava todos os dias e quando isso não aconteceu, em exatos dois dias do ano, ela saiu e transou com dois colegas de classe.

O Retorno da Piriguete

Depois que nos formamos, nunca mais ouvi falar de Eleonora até entrar em uma empresa para desenvolver um projeto há dois anos atrás. Quando entrei, os caras já foram logo me   avisando que havia uma gostosa no oitavo andar e para minha surpresa, quando fui apresentado à dita cuja, vi que era ela, Eleonora. Um pouco mais velha, um pouco mais gorda e apresentando uma seriedade fake, que não podia ser reconhecida em seu olhar sem vergonha. Como nas empresas rola muita fofoca na tal “rádio corredor”, soube que Eleonora era amante do gerente da área e que havia saído com quase todos os caras da empresa ( apenas  os de nível tático e gerencial) obviamente. Ela morava com os pais ainda e aos domingos frequentava o culto de uma destas seitas pentecostais. Na segunda-feira não olhava na cara de ninguém, como se tivesse tomado um choque  no domingo, vestindo uma máscara de mulher  direita e cheia de virtudes e um pouco de culpa no olhar. A partir da terça ela relaxava e começava a rir e se entreter com todo mundo, sua espontaniedade voltava ao normal. Essa “usabilidade “toda ainda não lhe havia conferido nenhum tipo de promoção. Ela passava de mão em mão e continuava atuando comou uma simples analista.
Para minha surpresa um dia flagrei Eleonora “orando”  no corredor , ao expulsar  demônios e eu perguntei se estava tudo bem. Ela havia sinalizado com a cabeça que sim, pois estava muito nervosa com uma reunião que iria começar em instantes e que ali haviam muitas pessoas usadas pelo inimigo, vulgo capeta. Detalhe, ela se referia “às outras pessoas”  mas não se incluía na lista.

A despedida

Na manhã seguinte, peguei meu carro na garagem e notei que os vidros de uma  HighLux que pertencia a um sujeito arrogante que parava atrás de mim estavam totalmente embaçados. Dava para notar umas silhuetas lá dentro, mas não dava para saber exatamente quem era. Poucas semanas de depois o próprio cara espalhou para os colegas que havia “traçado” a gostosa do oitavo, o que seria mais  uma experiência para o currículo de Eleonora.
Eleonora foi demitida três meses depois e foi se despedir de todos, entregando a cada um   um papel escrito com um versículo bíblico. Após este acontecimento, soubemos que ela excluiu todos os colegas de trabalho em seu perfil do Facebook, mantendo apenas os irmãos da igreja. O mais interessante disso tudo é que ela conseguia manter sua vida dupla sem que sua família desconfiasse, vista como mulher íntegra e exemplar.

Por isso sempre digo que não se pode deixar levar pelas aparências. Geralmente acompanhamos na mídia essas mulheres que aprontaram muito e depois se dizem convertidas achando que o passado todo vai ser apagado como um passe de mágica.  As  Eleonoras de vida dupla que existem aos montes por aí  aprontam de  tudo, se culpam, pedem perdão a Deus, zeram a quilometragem de safadezas e começam tudo de novo porque não conseguem exorcizar seus próprios demônios, afinal de contas, a pior luta que existe é aquela que se faz consigo mesmo.

Um comentário

  1. Sou cristão, frequento Igreja Evangélica e NUNCA me deixei levar pelas aparências. apesar de que o evangélico ou a evangélica devem ser diferentes em tudo dos conceitos que o mundo adota, inclusive na aparência mas a pessoa que vive apenas de aparência não agrada a DEUS mesmo : Ele nos quer por completo, por dentro e por fora !



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