
Diário de um limão no Reveillon da Paulista
janeiro 2, 2012
Este ano aderi ao Reveillon da Paulista. Pensei que fosse me arrepender, mas para minha surpresa, acredito que passei um dos finais de ano mais divertidos da minha vida.
Fiz a reserva em um hotel próximo à avenida Paulista e para chegar lá, rodei mundos e fundos. Todas os principais acessos estavam bloqueados por causa da corrida de São Silvestre – em pleno último dia do ano, estava eu metido em congestionamentos. Alguns grupos de corredores organizados gritavam para os motoristas:
- Aíii! manda ver na buzina! bota pra quebrar!!
Depois de cair umas três vezes na avenida 23 de maio, finalmente consegui acessar o melhor caminho, perguntando para os marronzinhos da CET que pacientemente respondiam às indagações dos motoristas perdidos. Juro que desta vez fiquei com pena deles.
Finalmente consegui entrar no hotel e fui direto para a avenida para assistir a largada da corrida. Eram figuras de todos os tipos: homens, mulheres, jovens, balzacas, idosos e fantasiados. Quando menos se espera aparece um sujeito correndo com um microshortinho azul e grandes chifres de boi na cabeça e também um Shrek gordo acompanhado de Buzz e Woody, personagens de Toy Story. É um festival de bizarrices, uma mistura de folia e esporte. Ali você acha de tudo um pouco…tem aqueles que correm uns 20 passos e já desistem.; tem os idosos que querem mostrar o quanto ainda podem se superar fisicamente e tem aqueles que vão mesmo para curtir, correndo com uma garrafa de cerveja na mão.
Na ceia, hotel lotado. Uma idosa de bengala vestida de lantejoulas douradas não parava quieta na mesa e queria dançar New York, New York de cinco em cinco minutos até o momento que deixou sua bengala me acertar. Como era final de ano, deixei passar, mas minha vontade era de retribuir a bengalada na cabeça da “véia” elétrica. A idosa parecia sofrer de oxiurose, infestação causada pelos oxiúros ou “bichinhos da bunda” que causam uma coceira infernal de modo que ela não parava sentada. Terminou Frank Sinatra, ela se levantou para dançar ao som de ABBA com sua neta a tiracolo. Aliás, o DJ estava bem retrô naquele dia….
Depois disso, entra um casal: a mulher munida de grandes e grossas pernas perfuradas pela celulite que recheava um short branco transparente. O sujeito todo orgulhoso de sua musa lipídica… (a única que vestia short atochado naquela noite). Ao dançar na pista, era como ver uma casca de laranja pulando para todos os lados ou pior, um queijo suíço mesmo.
Na mesa da frente, um sujeito todo de branco que a princípio parecia refinado, usouo guardanapo para assoar o nariz e um grupo de turistas nordestinos fotografavam e filmavam a mesa farta de comida dizendo:
- Vou por no Facebook a foto desse perú recheado aí! Fica do lado do perú Creonice!
Em outra mesa, um grupo de modelos anorexas diziam que iriam se ausentar da mesa para vomitarem, pois precisavam manter o peso diante daquela ceia farta. Seus namorados apoiavam a idéia. Uma delas disse que não iria comer nada, só observar os outros que comiam – passou fome naquela noite.
Saí da ceia e fui para avenida dar uma checada. O som era alto: Ultraje a Rigor cantando: “Eu me amo, não posso mais viver sem mim” e eu fiquei bastante emocionado, pois essa música tem tudo a ver comigo e o som da banda era poderoso. Terminado o show do Ultraje, não resisti e enviei uma mensagem pelo Twitter ao @Roxmo – o Roger, líder do Ultraje, para elogiar a apresentação deles pois realmente eles levantaram a galera.
Voltei para o hotel e tomei uns drinks. Depois disso fomos para a cobertura e ficamos todos espremidos como sardinhas para não tormarmos chuva. Eram pessoas de diversas parte do país ali, unidos e vestidos de branco, com uma taça na mão aguardando o grande início da queima de fogos.
De repente aparece um grupo de rapazes bêbados e que começar a mexer com todos que estavam ali. Depois uma piriguete goiana bricando de esconde esconde com um cara e acabou caindo na piscina … O DJ mandando ver no som, sem se preocupar se a garota extrovertida do interior de Goiás que estava se afogando. Ela nadou até a borda e saiu ensopada, rindo alto e enchendo o saco de todo mundo, acho que tava mais a fim de afogar outra coisa.
Uma outra família favala ao telefone:
- Estamos aqui aguardando os fogos e depois vamos ver o KLB! não vemos a hora de ver o KLB! pois é, há gosto para tudo.
Outra menina gritava no celular:
- Eu vi o Restart mãe! MÃE, sabe o que é isso? EU VI O RESTART!
Os fogos vieram, maravilhosos! pessoas que eu jamais vi na vida vieram me cumprimentar…mais fogos e o ano de 2011 havia nos deixado. O ano de 2012 aparecia no céu chuvuoso em forma de luzes e encantava a todos que ali estavam: piriguetes, famílias,crianças, grupos de amigos, casais, idosos, garçons e maratonistas…todos paralizados pelas luzes.
Vi que São Paulo não é tão fria assim e mesmo debaixo de chuva, o calor humano aflora nas pessoas e gestos de gentileza surgem de onde menos imaginamos.
Os fogos terminaram e aí veio o Mestre e Maestro João Carlos Martins conquistar a platéia! Assim foi o Reveillon da Paulista em 2102, repleto de diversidade, cumplicidade,cenas inusitadas e amizade. Vi que o mundo muda, as pessoas são diferentes umas das outras, mas todos mantém o mesmo briho no olhar diante do NOVO.
FELIZ 2012!